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Movimento e simplicidade
JORNAL DO COMÉRCIO. Caderno C | 02.03.2007 | Fabiana Moraes

Preto no branco traz o frevo sem penduricalhos e com trilha sonora que inclui batidas do coração.
Depois da overdose de passos, cores e homenagens dentro do centenário do frevo, o espetáculo Preto no branco, que estréia hoje (para convidados) no Teatro Armazém, traz uma abordagem simplificada, enxuta e avessa aos cânones da manifestação. O próprio nome já indica essa orientação para um trabalho não-convencional, uma idéia confirmada pela diretora do Artefolia (que produz a montagem), Marília Rameh. “Trabalhamos em cima da simplicidade, do movimento em si”, comenta ela, que, ao lado de Ivaldo Mendonça e Célia Meira, coreografou o espetáculo.

As pesquisas para Preto no branco começaram em 2002: foram realizadas oficinas e laboratórios de criação onde os alunos puderam estudar equilíbrio, foco e intensidade do frevo (com Mendonça) e ainda a desconstrução do passo (com Célia Meira). Uma oficina de capoeira também foi realizada com o Mestre Mago e o professor Tiziu. A junção das diferentes maneiras de trabalhar o passo resultaram em movimentos com uma dinâmica bastante específica, explica Marília Rameh. Em um dos momentos da apresentação, por exemplo, dois bailarinos dependem totalmente um do outro para conseguir sua dança.A abordagem que a companhia resolveu adotar não seguiu a cronologia dos movimentos – a estética foi coloca em primeiro plano. “Fizemos alguns recortes da evolução do passo, focamos o passista que dança para ele mesmo, o outro que dança para os palcos”, comenta Rameh.A trilha sonora, é claro, também traz esse olhar despido de clichês para o espetáculo: batidas do coração, máquina de datilografia antiga e efeitos sonoros misturados apenas à percussão do frevo são alguns dos trechos da trilha. Há também a presença do trabalho do videomaker Breno César. Na concepção da montagem, o vídeo atua tanto como cenário quanto complementa a apresentação dos sete bailarinos do elenco. Preto no branco, que recebeu perto de R$ 80 mil do Funcultura, além de R$ 30 mil do prêmio Klaus Vianna (MinC), fica em cartaz até o dia 18 de março, aos sábados e domingos, às 20h.

 

Espetáculo explora a espontaneidade do frevo
DIÁRIO DE PERNAMBUCO . Viver|01.03.2007 | Tatiana Meira

Os aspectos de improvisação e de individualidade inerentes ao frevo são apenas algumas das características dessa dança pernambucana. Mas quando se trata de frevo, destaca a coreógrafa Marília Rameh, vários caminhos são possíveis e não podem ser encarados de maneira engessada ou radical. A evolução dos passos do frevo é foco da pesquisa de movimento de Preto no branco, espetáculo da Cia Artefolia, dirigida por Marília, que inicia temporada no Teatro Armazém (Bairro do Recife) nesta sexta-feira, às 20h. A coreografia, na verdade, foi pensada também por mais dois profissionais, os coreógrafos Ivaldo Mendonça e Célia Meira.

“Queria falar sobre o passo, a trajetória dele, mas não de uma maneira cronológica. Partimos de um corpo fragmentado para chegar a uma unidade, mostrando a multidão pulando com o frevo, o passista dançando sozinho com um guarda-chuva, as primeiras intenções do passo com a capoeira”, revela Marília Rameh, que lidera a Cia de Dança Artefolia há 15 anos. A vontade de trabalhar com o frevo como um objeto de estudo específico surgiu em 2002, quando o grupo fez um laboratório que resultou na coreografia Irreverência, premiada pela Apacepe no Janeiro de Grandes Espetáculos de 2003.

Segundo a coreógrafa, a espera valeu a pena, porque hoje o Artefolia está num momento mais amadurecido. “Recebemos financiamento do Funcultura, de quase R$ 80 mil, e o prêmio Klaus Vianna, da Funarte/Ministério da Cultura, de R$ 30 mil”, conta.
Outro ponto positivo da montagem, avalia Marília, é a participação de Célia Meira e Ivaldo Mendonça na composição coreográfica. “Célia trouxe movimentos mais fluidos e Ivaldo, a técnica e a precisão”, compara.
“Se o passista é um mero repetidor de passos, perde a criatividade. Foi uma experiência muito interessante porque buscamos o folião dentro dos bailarinos, a espontaneidade que reside na alma do frevo”, conta Célia Meira, ex-bailarina do Balé Popular do Recife, que hoje trabalha levando a dança para a humanização na área de saúde.

Para Ivaldo Mendonça, de formação clássica e vivência contemporânea, o contato com o frevo veio como um susto e um desafio. “Estou feliz com o espetáculo. Descobri coisas possíveis de se fazer no frevo, sem perder a energia da dança. Um duo de mãos dadas, a passagem da sombrinha por debaixo da perna do companheiro, são evoluções do original sem fugir da essência”, completa Ivaldo, que já foi bailarino de Deborah Colker e assina o frevo de sete minutos que numa dinâmica acelerada encerra Preto no branco. A temporada do espetáculo acontece aos sábados e domingos, sempre às 20h, até 18 de março.

 

Artefolia propõe desconstrução do frevo 
DIARIO DE PERNAMBUCO . Fim de Semana | 02.03.2007 | Tatiana Meira

O som das batidas de um coração é comparado ao compasso binário do frevo no momento inicial de Preto no branco, espetáculo da Cia de Dança Artefolia, que estréia hoje, às 20h, no Teatro Armazém. Em cena, sete bailarinos liderados pela coreógrafa Marília Rameh, que na montagem contou com a colaboração dos também coreógrafos Ivaldo Mendonça e Célia Meira. “Tinha visto num livro de provérbios e ditos populares o significado da expressão Preto no branco, que quer dizer passar a limpo, colocar a tinta preta no papel branco, clarear. Achei que combinava com o que vinha pensando a respeito do frevo”, detalha Marília Rameh.

Os desdobramentos do passo e a desconstrução da forma convencional de se dançar o frevo estão presentes na coreografia, que aponta várias fases diferentes – do solista que brinca com os guarda-chuvas imensos utilizados antigamente; da massa humana no meio da folia do carnaval, expressando os movimentos unida; da contribuição dos capoeiristas. “Há instantes em que não é frevo, nem dança popular”, afirma Ivaldo Mendonça, completando que a história do frevo traz elementos aleatórios, uma forma contemporânea de dançar. Tanto Ivaldo Mendonça, quanto o videomaker Breno César, diretor do vídeo que em alguns trechos serve de cenário para Preto no branco, nunca haviam trabalhado com frevo. Já Marília Rameh e Célia Meira vêm de um longo contato com a dança popular. Os figurinos são criação coletiva e foram costurados por Alcina Sá. Já a trilha sonora é assinada por Luciano Oliveira. No elenco, estão Anne Costa, Iane Costa, Tainá Meira, Andrey Caminha, Mauro Correa, Paulo Cristo e Ramalho Júnior.

 

IDANÇA
http://www.idanca.net | 09.05.2007 | Christianne Galdino

Preto no Branco, novo espetáculo da Cia. de Dança Artefolia, dirigida pela coreógrafa Marília Rameh, coloca o frevo, ou melhor, o “passo” (nome dado à dança do frevo) em pauta, no ano em que se comemora o centenário do icônico ritmo. Conseguindo distanciar-se dos clichês, Rameh traz o popular no seu sentido tradicional (folclórico), mas sem embalagens “turísticas”. As linhas contemporâneas aparecem na movimentação criada pelo coreógrafo Ivaldo Mendonça, que assina a criação junto com Célia Meira e a própria Marília Rameh.

O “passo” do frevo é revirado ao avesso e visto por dentro, percorrendo um percurso não-cronológico, mas exibindo uma construção histórica desta movimentação. O vigor e a precisão técnica dos bailarinos, todos com formação popular no método Brasílica, ajuda a manter o público em êxtase. Comoção quebrada só em alguns raros momentos, que não conseguiram escapar de um certo didatismo, fazendo um reforço desnecessário à informação já contida e contada nos corpos, na dramaturgia física; como no caso da coreografia com os nomes dos passos de frevo e o momento inicial em que um dos bailarinos coloca literalmente o preto no branco. Nada que comprometa a legitimidade da obra.

Todo idealizado em preto e branco, o espetáculo conta também com intervenções do videomaker Breno César, ora como vídeo-cenário ora como videodança (imagens em preto e branco também), que muito contribuem para a costura da montagem, sem sobrepor-se à coreografia. Preto no Branco, nas cenas iniciais, chega a insinuar uma justaposição de linguagens que felizmente não se concretiza, dando lugar a uma hibridização consistente, aliás, característica de ritmos populares contemporâneos nascidos das cidades, como é o caso do frevo. Soluções inteligentes dos coreógrafos, bem incorporadas nos intérpretes, driblaram por completo à tendência aos estereótipos quando o assunto é dança popular. Para não dizer que não falou das cores, Preto no Branco traz o colorido “típico” do frevo ao final da sua bem sucedida trama, que mais que tudo leva à cena uma verbalização popular com conjugações contemporâneas.

 

REVISTA CONTINENTE MULTICULTURAL
Ano III . N°31 Julho . 2003 |Leidson Ferraz

Quanto às atrações de Recife e Olinda, uma das grandes atrações promete ser a Cia. de Dança Artefolia que, comemorando dez anos de carreira e levando ao pé da letra o seu nome, concebeu especialmente para essa primeira edição da mostra a coreografia Patuscada, sinônimo de festa, folgança e farra generosa.
O trabalho tem criação e direção de Marília Rameh e reúne ritmos e passos de três ciclos festivos, o Carnaval, representado pelo maracatu e o frevo, o São João, com trechos de coco de roda e o Natal, com folguedos do cavalo-marinho. Ao final, o frevo vem dar idéia de recomeço das festas a cada ano. No começo deste ano a Cia. Artefolia conquistou todos os prêmios da categoria dança popular no projeto Janeiro de Grandes Espetáculos. Melhor Coreografia, Melhor Bailarina e Bailarina Revelação.

 

Marketing Cultural e Arte em Pernambuco
REVISTA CENÁRIO CULTURAL| Ano II . N°3 . Janeiro . 2001 Leidson Ferraz

Mais sorte teve a Cia. de Dança Artefolia, que, mesmo sem financiador para o projeto aprovado no SIC/PE, levou à cena, no Teatro Valdemar de Oliveira, Bela Vista, a descoberta de Cabral. O espetáculo de dança popular foi realizado graças às várias apresentações da trupe por hotés e congressos. A bem-cuidada produção é de Marília Rameh e de Mariângela Valença, que ainda estão atrás de empresas que financiem sua nova temporada no Recife e a circulação por outros Estados.

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